Impactos da crise no frete

O cenário econômico do país tem impacto em praticamente todos os setores do mercado. No transporte não é diferente, muito se ouve falar em crise, reflexo de juros altos, inflação acima da meta, câmbio desvalorizado, aumento de impostos, queda de produção, alto índice de desemprego, entre outros.

Entenda os principais impactos da crise no segmento de transporte rodoviário de cargas:

 

Juros altos

A taxa básica de juros (SELIC), subiu quase 100% em apenas três anos. Em teoria a elevação dessa taxa, discutida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária), Transporte Rodoviário de Cargasdeveria acarretar na redução da inflação, porém não é o que tem acontecido. Para realizar o transporte de cargas, toda transportadora precisa de uma frota de veículos. O valor de investimento em caminhões e implementos é alto. A forma mais utilizada para viabilizar a aquisição é através de financiamentos. Os bancos são remunerados pela taxa de juros, a qual é balizada pela taxa básica. Em momento de crise as taxas aumentam e ocorrem restrição de crédito.

 

Inflação acima da meta

O índice médio de inflação projetado anualmente é de 4,5% com 2% de variação para mais ou para menos. Em 2015 o numero foi acima do esperado, em torno de 10%. O resultado é aumento de custo e preço em toda a cadeia produtiva, a empresa que não corrige seu preço reduz sua margem de lucro. Os três maiores custos de uma transportadora são: pessoas, combustíveis e financiamentos. Anualmente ocorre o dissídio da categoria, database onde o salário é corrigido para recompor as perdas da inflação. Em alguns casos são negociados ganhos reais. O custo dos combustíveis geralmente acompanha as variações do barril de petróleo, podendo aumentar ou diminuir. Outra alteração de preço está relacionada ao aumento dos impostos. A remuneração do financiamento, ou seja, a taxa de juros deve ser sempre maior que o índice de inflação, caso contrário não existiria lucro na transação.

 

Câmbio desvalorizado

Muitos insumos, equipamentos, veículos e peças tem origem material importado. Um exemplo são os caminhões, já que em sua montagem utilizam peças importadas de outros países. Além disso, o mesmo também acontece com algumas peças para reposição.

A distribuição de produtos importados também deixa de ser interessante devido ao câmbio elevado. Isso reduz o volume transportado de matéria prima e produto acabado com origem estrangeira.

 

Aumento de impostos

A elevação de impostos federais, estaduais e municipais tornam os negócios menos viáveis. Em alguns estados houve um recente e significativo aumento de tributo, como o ICMS e IPVA. Além das alíquotas maiores, principalmente o governo federal na busca por maior arrecadação, retirou incentivos fiscais, como IPI e a desoneração da folha de pagamento. Como consequência dessas mudanças os custos aumentaram e algumas operações de transporte tiveram sua viabilidade comprometida.

 

Queda na demanda

Com a produção menor nas indústrias, turnos sendo cortados, férias coletivas, shutdown, layoff e de outro lado grandes varejistas fechando lojas, ocorre uma significativa queda na demanda dos serviços de transporte. Diversas empresas estão ingressando com pedido de recuperação judicial, falência e fechando as unidades no Brasil. A fórmula básica de rentabilidade de uma transportadora é resultado da relação entre custo x volume x lucro. Quando o volume cai, o resultado tende a ser pior.

 

Além dos indicadores econômicos, outros impactos diretos e indiretos também são sentidos pelas transportadoras. A necessidade de reduzir custo gera demissões, as quais acarretam custos com verbas rescisórias (nem sempre provisionados) e reclamatórias trabalhistas, por exemplo.

A habilidade de gestão das empresas de transporte também se demonstra vital neste cenário. O alto índice de alavancagem e a dependência de uma carteira de clientes com faturamento concentrado em poucos clientes podem ser nocivos ao negócio.

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