É o fim do e-sedex e não do e-commerce

Desde o final de 2016, quando o Correios começou a notificar clientes sobre o fim do produto e-sedex, tenho visto uma repercussão exagerada quanto ao tema! Cheguei a me deparar com uma manchete dizendo: "Compras na internet ficarão 30% mais caras". A sensação é que existe uma necessidade de se espalhar um cenário de caos. Talvez, apenas atrair o clique dos leitores.

O fato é que entender a atuação do Correios no comércio eletrônico brasileiro é essencial. Quem trabalha na área sabe que, em geral, as grandes varejistas utilizam transportadoras privadas para suas entregas. Apenas numa pequena fração, para determinadas regiões geralmente críticas, utilizam Correios. Esse é o caso do Wal Mart, B2W, Via  Varejo, Máquina de Vendas, Amazon, etc. Outro ponto interessante de esclarecer é o motivo pelo qual isso acontece. No mercado de transporte de cargas existe um indicador básico, a taxa de ocupação. Como o próprio nome sugere, tem relação com a ocupação do peso e espaço disponível nos caminhões. A lógica é, tem que rodar o mais cheio possível. A explicação é simples, quanto mais volumes dentro do veículo, mais se dilui o custo unitário. Sabendo disso fica mais fácil de entender porque quem tem mais volumes de entrega negociam preços melhores, isso vale tanto para Correios quanto para transportadoras privadas. Como o Brasil é um país muito extenso em território, algumas empresas se especializaram em determinadas regiões. Oferecendo preços mais competitivos e prazos menores.

Claro que não podemos esquecer dos problemas dos Correios, de acordo com a Pesquisa Logística no E-commerce Brasileiro 2015, realizada pela ABCOMM, as 10 principais reclamações são: atraso nas entregas, extravios, demora nas tratativas, descaso, preços abusivos, mau atendimento, furtos, sistema fora do ar, filas nas agências e falta de pagamento por mercadorias extraviadas. Muitos desses problemas são minimizados e até eliminados nas transportadoras.

Logo, o fim do e-sedex tem mais impacto no pequeno varejista e isso não é de hoje! Por que? Para estar elegível ao e-sedex a loja precisava de um volume mínimo mensal. Além disso, a grande maioria das transportadoras não conseguem realizar coleta de poucos volumes e, em geral,não contam com agências para postagem. Neste caso não restam muitas opções e ainda assim o e-commerce resistiu até aqui. Essa realidade demonstra a necessidade de novas soluções de entregas no país, viável do micro ao grande varejista. 

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Rafael Mendes

CEO & Founder da ASAP Log | Soluções em Logística, profissional com experiência em empresas multinacionais de serviços e indústria no Brasil e Estados Unidos nas áreas de Planejamento, Projeto e Supply Chain.

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